Devlog #7 – Nossa viagem ao sertão/Confecção dos bodes

#2 – Bodes

 

Os bodes não são apenas os xodós da Dona Firmina, são xodós nossos também! Eles dizem muito sobre o tempo que passamos em Canudos pesquisando para o projeto e cumprem funções narrativas e mecânicas, das quais resultaram demandas para o processo de criação. São animais curiosos, de características únicas, capazes de enriquecer a ambiência e o universo do jogo. Por isso, tê-los como feature foi um processo importante e divertido para todo o time.

Abaixo temos um resumo de como foi essa experiência:

Problemas:

  • A ideia inicial dos bodes (com alguma IA e mecânica de follow) era dinâmica demais se comparada com boa parte das features que havíamos implementado até então;
  • Devido a importância que o bode tem na cultura do sertão, a criação de cada um deveria ser única;

Soluções:

  • Três estudos do pathfinding foram feitos em prol de uma representação mais eficiente para o comportamento desejado;
  • Criação de animais diferentes com o uso de cores e características baseadas nas referências coletadas na pesquisa in loco, criando assim uma história de fundo para cada um deles;
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(Viagem que fizemos ao sertão, bodes que encontramos no caminho)

 

A ideia original dos bodes veio da necessidade de representar a fauna da região com mais movimento, pois até então o jogo estava bastante estático. Ir para Canudos foi uma experiência incrível, pois nos deu a chance de acompanhar os bodes de perto, observar como eles se comportam (sempre muito imprevisíveis), como são criados soltos (algo que é cultural e feito por boa parte da população) e como alguns deles são bastante afetivos. A partir daí foi possível criar conceitos visuais e comportamentos dentro do universo do Árida.

 

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(Viagem que fizemos ao sertão, os bodes apreciando o por do sol com a gente)

 

No começo, os bodes recebiam nomes de brincadeiras nossas, até que a não regulamentação causou discordância em documentos: para cada documento eles recebiam nomes diferentes. Por fim, com o intuito de resolvermos o problema, criamos uma votação com uma lista de possíveis nomes, brincando com diminutivos e aumentativos, usando referências a características da região.

Foi muito importante também dar identidade a cada bode. Rosinha, por exemplo, gosta de comer frutas, portanto seria mais fácil encontrá-la próximo a frutíferas. Diferente de Bexiga, que gosta de explorar partes mais distantes.  Zezinho é o mais “agitado” e gosta de se esconder. Já Casemiro Neto,  apesar de não ir tão longe, gosta de se esconder nos locais mais fechados. 

 

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(Screenshot do navmesh do mapa, necessária para funcionamento do path finding)

 

Na programação, a criação dessas criaturas teve seus momentos de desafio. Apesar de agradar aos jogadores, a primeira versão do sistema de movimento, o path finding, era simples devido o seu objetivo na quest. Porém desejávamos algo melhor, em performance e qualidade de experiência, por isso três estudos foram desenvolvidos.

No primeiro foi criada uma versão de movimentos do zero com o intuito de representar da melhor forma possível a experiência que tivemos. Porém, por conta da otimização precisávamos de uma versão mais leve.  O segundo estudo foi baseado em referências de scripts, com o intuito de otimizar o sistema para que a interferência na performance fosse baixa, mas o resultado gerou uma queda considerável na qualidade do comportamento dos bodes no terreno. Para resolver isso, nos reunimos e decidimos os limites mecânicos que seriam dados e foi decidido o uso do sistema padrão da Unity, porém, foi feita uma junção dos benefícios dos estudos anteriores, aproveitando a melhora na performance e na qualidade do movimento.

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(Imagem do jogo, rosinha e sua responsabilidade)

 

Além do que foi descrito acima, duas novas features foram integradas durante o desenvolvimento:  um quarto bode e os cocôs de todos eles. O novo bode, Bexiga, está inserido na quest e tem um peso importante na narrativa e exploração. Os cocôs representam um possível guia de localização, alem de ser uma camada de juicy quando se explora o cenário.

Essa quest de Firmina e seus bodes expressa parte da vivência que tivemos no sertão, e apesar da evolução que os bodinhos receberam e nos proporcionaram, o progresso não pode parar e vamos dar continuidade ao seu legado de outras formas.

E vocês, já tiveram algum tipo de contato com bodes e suas divertidas peculiaridades? Compartilhem com a gente o/

 

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